God Bless America

O Super Bowl 2026 foi muito além de futebo americano e música. Foi território latino. Foi perreo, foi estética de quebrada, foi política feita no palco mais vigiado dos Estados Unidos. Bad Bunny pegou o intervalo do maior evento esportivo do país e transformou tudo em um grito coletivo da América Latina.
Direto de Porto Rico pro mundo, o artista levou sua identidade sem pedir licença. Teve bandeira, teve corpo, teve dança, teve som latino ecoando num espaço que historicamente sempre foi branco, americano e conservador. Bad Bunny não suavizou nada: colocou o perreo no centro, levou sua casita pro palco e mostrou que cultura latina não é tendência, é raiz.
O cenário virou ponto de encontro da latinidade global. Pedro Pascal, Karol G, Cardi B, Young Miko, Jessica Alba, Alix Earle e outras figuras circularam como quem entende o recado: aquilo não era só um show, era representatividade ocupando espaço.
As participações foram simbólicas. Lady Gaga entrou no jogo latino com uma versão em salsa de “Die With a Smile” e dançou “Baile Inolvidable”, enquanto Ricky Martin chegou trazendo memória, história e emoção em “Lo Que Le Pasó a Hawaii”. Diferentes gerações, um mesmo continente.
No final, Bad Bunny fez o que poucos têm coragem naquele palco: citou todos os países da América, incluindo o Brasil, e deixou uma mensagem simples, direta e necessária:
“A única coisa maior que o ódio é o amor.” "God Bless America"
Num país marcado por muros, discursos anti-imigração e apagamentos culturais, Bad Bunny usou o Super Bowl como ferramenta de afirmação política, estética e afetiva. Mostrou que a América é múltipla, conectada e viva. Os vídeos já circulam nas redes e deixam claro: aquele intervalo não foi entretenimento. Foi história sendo escrita em espanhol, com ritmo caribenho e consciência latina.












