Grammy 2026: Bad Bunny domina a noite, faz discurso político e vira centro das atenções às vésperas do Super Bowl

O Grammy Awards 2026 consagrou Bad Bunny como o maior vencedor da noite. O artista porto-riquenho levou três gramofones, incluindo o principal prêmio da cerimônia, Álbum do Ano, com Debí Tirar Más Fotos, tornando-se o primeiro artista da história a vencer a categoria com um disco gravado inteiramente em espanhol.
Além do prêmio máximo, Bad Bunny venceu nas categorias Melhor Álbum de Música Urbana e Melhor Performance de Música Global, consolidando o impacto global de sua obra e o protagonismo da música latina no maior palco da indústria fonográfica.
Apesar do destaque e da expectativa do público, o cantor não se apresentou na cerimônia, o que gerou estranhamento entre fãs e espectadores. A ausência, no entanto, teve um motivo contratual.
Por que Bad Bunny não cantou no Grammy?
Bad Bunny está confirmado como a atração principal do Halftime Show do Super Bowl, que acontece neste domingo (8), no Levi’s Stadium, na Califórnia. Uma das cláusulas do contrato firmado com a NFL impede que o artista realize outras performances musicais durante o período que antecede o show de intervalo da final da liga de futebol americano.
A situação foi mencionada durante a transmissão do Grammy pelo apresentador Trevor Noah, que explicou ao público o motivo da ausência. Mesmo assim, em um momento descontraído, Bad Bunny acabou soltando uma breve palinha de “DtMF”, uma das faixas mais populares do álbum premiado.
Discurso contra o ICE gera repercussão
A vitória histórica também foi marcada por um forte discurso político. Ao receber o prêmio de Álbum do Ano, Bad Bunny criticou o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), em meio a um cenário de endurecimento das políticas migratórias no país.
“Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos”, declarou o artista, emocionado.
A fala repercutiu imediatamente e chegou até a NFL, levantando questionamentos sobre a possibilidade de manifestações políticas durante o Super Bowl.
NFL comenta discurso e show do Super Bowl
Em coletiva de imprensa, o comissário da NFL, Roger Goodell, foi questionado se esperava novas declarações políticas por parte de Bad Bunny durante o evento esportivo. O dirigente afirmou que o Super Bowl não é o espaço adequado para manifestações desse tipo e disse confiar no entendimento do artista sobre a dimensão do palco que ocupa.
Segundo Goodell, Bad Bunny foi escolhido não apenas por sua relevância artística, mas também por compreender o papel do evento como um momento de união e entretenimento global.
“Essa plataforma serve para reunir pessoas por meio da criatividade e do talento. Acredito que Bad Bunny entende isso e fará uma grande apresentação”, afirmou o comissário.
Música, cultura e política
Mesmo impedido de cantar no Grammy, Bad Bunny saiu da premiação como o nome mais comentado da noite, tanto pelo feito histórico quanto pela coerência entre sua obra e seu posicionamento público. Debí Tirar Más Fotos é um álbum que mistura reggaeton, rap e pop, celebra a cultura porto-riquenha e aborda temas como memória, identidade e colonialismo.
Às vésperas do Super Bowl, o artista chega ao maior evento esportivo dos Estados Unidos como símbolo cultural e político de uma geração, ampliando o alcance da música latina em um dos palcos mais vistos do planeta.












